A busca obssessiva por procedimentos estéticos tem sido uma realidade no dia a dia profissionais de saúde que lidam com essa área da medicina.

No entanto, o Instituto PERFACE reforça que é fundamental que o paciente esteja esclarecido sobre o tipo de procedimento ao qual está sendo submetido assim como tome conhecimento do material que está sendo utilizado.

Antes de realizar qualquer procedimento, recomendamos que o paciente priorize a seriedade, ética e tenha referências tanto do estabelecimento quanto do profissional.

Alguns produtos como o PMMA, dependendo da forma e local que é aplicado, pode causar lesões permanentes e irreversíveis cujas sequelas não podem ser reparadas nem mesmo com procedimentos cirúrgicos complexos.

Em nosso Instituto, recomendamos apenas a utilização de preenchimentos que NÃO são permanentes e que tenham compatibilidade com tecidos do corpo humano e segurança para os pacientes. Ex: Ácido hialurônico.

Bem estar, segurança e credibilidade devem ser prioridades na hora de procurar um serviço que faça procedimentos estéticos.

Equipe PERFACE

Reportagem exibida no Fantástico do dia15/04/2012

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A promessa é sedutora e atrai mulheres em busca do corpo perfeito: plástica sem bisturi e de resultados imediatos. O procedimento da moda chama-se “bioplastia”, à base de injeções de uma substância chamada PMMA. Mas cuidado: as consequências do uso indiscriminado do PMMA podem ser desastrosas.
Plástica simples, barata, sem cortes e com resultados imediatos. Vantagens tentadoras. O procedimento é conhecido como “bioplastia”. Mas o que pode acontecer a muitos pacientes – horas, dias e até anos depois – são sequelas irreversíveis.

“Foi começando a aparecer como se fosse uma queimadura de primeiro grau. Daí, eu fui para o hospital. A princípio, eles acharam que poderia ser celulite. Mas começou a necrosar”, conta Marina Menezes, de 20 anos.

Este é um problema que Marina e outras mulheres vêm enfrentando depois de injeções de uma substância chamada polimetilmetacrilato, o chamado PMMA, um derivado do acrílico. Como Marina, muitas buscavam a forma ideal. Mas sofreram inflamações gravíssimas e acabaram tendo que retirar parte da pele, da gordura e até do músculo da região onde a substância foi aplicada.

Em muitos casos, as lesões causadas pela bioplastia são tão violentas – e chocantes – que o Fantástico decidiu não exibir as imagens.

Isso acontece porque o organismo não consegue absorver o PMMA. Ele entra como um gel e logo depois endurece. Ocorre uma reação inflamatória, e em muitos casos há necrose dos tecidos. O produto pode ainda migrar para outras áreas do corpo e provocar graves deformações.

No hospital que é referência em cirurgia reparadora em Porto Alegre, a procura de pacientes para corrigir implantes permanentes aumentou 30% de 2010 para 2011.

“Em média, a gente tem observado entre cinco a dez anos para alguma alteração acontecer”, conta a cirurgiã plástica Bárbara Machado.

“Nós temos uma experiência muito grande de casos em que este produto metacrilato foram utilizados com complicações. E estas complicações nem sempre são fáceis de serem tratadas”, diz o cirurgião plástico Ivo Pitanguy.

Há dez dias, a ex-BBB Monique Amin fez bioplastia no nariz e no bumbum.

Ela conta que foi o médico quem a convenceu a fazer. Diz que aceitou na hora e não tinha nenhuma informação a respeito do procedimento.

Mulheres que o Fantástico mostrou preferem esconder os resultados da bioplastia, e por isso não serão identificadas.

“Eu quase morri. Nos primeiros dias eram dores horríveis”, conta uma das pacientes da enfermeira Fernanda Ouverney Valente, presa há duas semanas no Rio de Janeiro. Hoje, Fernanda está solta e responde por exercício ilegal da profissão e lesão corporal gravíssima.

A paciente ficou mais de um mês internada e perdeu 15 quilos, com uma forte infecção nas nádegas. Ela conta que chegou a ver o estado em que o corpo dela ficou. “Vi e fiquei desesperada”.

Só médicos podem aplicar o PMMA, mas é fácil encontrar clínicas com pessoas não qualificadas administrando livremente o produto.

Com uma câmera escondida, uma equipe de reportagem do Fantástico foi a um consultório no subúrbio do Rio de Janeiro. Uma mulher se apresenta como fisioterapeuta e garante que não há qualquer contraindicação.

Mulher: Eu colocaria aqui uns 350ml.
Mulher: “Fica em R$ 3,5 mil. Em umas duas horas eu te deixo com um bumbum bonito”, garante a mulher.

A equipe de reportagem do Fantástico voltou ao consultório, mas a mulher flagrada oferecendo PMMA não foi encontrada. E até o fechamento desta reportagem, ela não retornou a ligação do programa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária não proíbe a utilização do PMMA. Já o Ministério da Saúde autoriza o uso pelo SUS somente em doentes com HIV, que sofrem com perda de gordura na face, um efeito colateral do tratamento.

“Nestes casos, o PMMA pode ser usado para corrigir este problema e fazer com que a pessoa não abandone o tratamento, porque está vendo que sua face está se modificando”, explica Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde,

O Conselho Federal de Medicina emitiu há cinco anos um alerta oficial sobre os riscos do produto e pediu cautela aos médicos. Mas o cirurgião plástico Almir Nácul, que se diz o criador da bioplastia no Brasil, continua usando PMMA em boa parte dos seus 17 mil pacientes.

“A bioplastia é uma técnica muito segura. O índice de infecção é zero. Nunca tive um caso de infecção”, garante o cirurgião.

Ao longo da entrevista, porém, doutor Nácul admite que já houve complicações. “Já tive problemas de nódulo, mas raramente. É muito raro e tratável”, assegura.

“Não tem tratamento. Não há como retirar este produto. Estas pessoas vão ficar controlando essas crises com uso de corticosteróides, antinflamatórios e antibióticos. Não tem tratamento”, diz o cirurgião plástico Carlos Alberto Jaimovich.

Mesmo assim, uma paciente ainda tem esperança de remover o PMMA dos seios. “Infiltrou nas partes mais profundas. É um horror. Hoje eu estou toda empedrada. Não consigo dormir de bruços. Não consigo levantar meus braços direito porque repuxa tudo”, descreve.

“Jamais pode se injetar uma substância qualquer, seja por estética ou reparação, sem conhecê-la. Isso é uma imprudência. Não se sabe qual será o comportamento desta substância. Não se sabe se, ao invés de trazer uma ajuda ao paciente, pode causar um dano”, alerta o cirurgião plástico Pedro Alexandre Martins, da PUC do Rio Grande do Sul.

“Eu não sabia das consequências. Se eu soubesse, nunca teria feito. Jamais”, conclui uma das pacientes entrevistadas pelo Fantástico.

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