Lactose: consumir ou não?

É cada vez mais comum encontrar produtos derivados de laticínios com os dizeres “sem lactose” nas gôndolas de supermercados, como leite e os mais variados tipos de iogurtes nas versões desnatada, semidesnatada e integral, leite condensado, creme de leite, chantilly, entre muitos outros.

A lactose nada mais é do que o açúcar do leite, que, para ser digerido pelo organismo, precisa de uma enzima chamada lactase. No Brasil, estima-se que boa parte da população possua algum tipo de intolerância à lactose devido em grande parte à deficiência na produção de lactase, razão pela qual os fabricantes de laticínios possam ter investido atualmente na produção de produtos livres desse açúcar.

A intolerância pode variar conforme a causa e intensidade em cada paciente. As causas para intolerância à lactose são:

  • Primária: diminuição ou perda de produção da lactase ao passar dos anos.
  • Secundária: diminuição ou perda de produção da lactase devido à doença ou lesões intestinais.
  • Congênita: deficiência na produção de lactase desde o nascimento.

Entre os problemas relacionados ao leite, existe a alergia à proteína do leite, a lactoalbumina, que muitas vezes é confundido pelos pacientes com a intolerância à lactose, mas são situações diferentes. Enquanto a alergia tem sintomas como inchaço em diversas partes do corpo, espirros, falta de ar, distensão abdominal, gases, diarreias, manchas vermelhas, coceira e choque anafilático, a intolerância à lactose apresenta sintomas relacionados apenas à área gastrointestinal como dores abdominais, gases e diarreia.

Se você não possui intolerância, a lactose não é nenhum vilão!

Muito se ouve que manter uma dieta sem lactose traz benefícios até àqueles que não apresentam nenhum tipo de restrição, mas isso é um equívoco. A lactose tem um papel importante no processo de absorção de cálcio pelo corpo, mineral que ajuda na boa formação dos ossos e na queima de gordura e que, consequentemente, ajudam na prevenção da osteoporose e obesidade.

A evolução do ser humano fez com que as etnias presentes no mundo desenvolvessem mais, menos ou nenhuma restrição à lactose. Isso porquê algumas culturas tiveram a inserção do leite em sua alimentação, o que fez com que a lactase, que inicialmente tinha sua produção interrompida logo após a fase de amamentação, continuasse a ser produzida durante a fase adulta. Portanto, pessoas que não possuem restrições podem consumir laticínios normalmente: dois a três copos de leite tomados diariamente tem a quantidade suficiente para manter a boa saúde dos ossos e prevenir doenças como a osteoporose.

Entretanto, restringir o consumo de lactose pode ser uma decisão em dietas funcionais, mas isso depende muito dos objetivos e peculiaridades de cada paciente.

Se você ainda não sabe se possui ou não algum tipo de intolerância à lactose ou alergia relacionada ao leite, procure seu nutricionista e faça o teste. Aproveitar todos os benefícios dos alimentos é o melhor jeito de manter uma alimentação saudável e a saúde do corpo.

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